Com a nossa prestação de serviços a sua empresa vai alcançar outro patamar.

Por que empresas estão abandonando a pauta da diversidade

Publicado em 29 de junho de 2026
Veja Abril

Em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Carmen Gardier, gerente de marketing da LATAM LLYC, afirma que a redução do engajamento empresarial com pautas inclusivas tem alimentado narrativas negativas nas redes e até em sistemas de inteligência artificial. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Às vésperas do Dia Internacional do Orgulho LGBT, um estudo da consultoria LLYC Brasil acendeu um alerta sobre o enfraquecimento do debate público em torno da diversidade. Segundo o levantamento, empresas vêm reduzindo seu posicionamento público sobre inclusão — movimento que, na avaliação de especialistas, tem contribuído para a expansão de discursos hostis no ambiente digital.

A gerente e responsável pelo Comitê de Diversidade da LYCC Brasil, afirmou que houve um recuo de cerca de um terço no compromisso público das companhias com a pauta. “A conversa sobre esses temas de diversidade começou a diminuir porque muitas empresas deixaram de apoiar com mensagens nas redes sociais e na mídia”, disse.

 

Por que o debate sobre diversidade perdeu força?

Segundo Garnier, a pesquisa analisou mais de 15 milhões de notícias e mais de 200 milhões de interações em redes sociais. Os dados mostram uma queda expressiva na circulação de mensagens relacionadas à diversidade: o volume caiu de cerca de 27 milhões para aproximadamente 12 milhões.

A retração também atingiu a imprensa. De acordo com a executiva, em 2023 a cobertura midiática sobre diversidade era o dobro da registrada em 2025. Para ela, essa redução de visibilidade enfraqueceu a presença pública de narrativas positivas ligadas à inclusão.

 

O silêncio tornou o ambiente mais hostil?

Para Garnier, sim — e de forma preocupante. Ela argumenta que a diminuição da conversa não trouxe pacificação. Ao contrário, abriu espaço para conteúdos mais agressivos e sutis. “A conversa positiva começou a diminuir e isso deixou um vácuo no entorno digital”, afirmou.

Esse espaço, segundo ela, passou a ser ocupado por mensagens hostis, com repercussões diretas nas redes sociais e em ferramentas de inteligência artificial. Sem a presença ativa de empresas no debate, discursos de intolerância ganharam mais alcance e visibilidade.

 

Qual o papel da inteligência artificial nesse cenário?

Um dos pontos mais sensíveis do estudo envolve o comportamento de sistemas de inteligência artificial. Segundo Garnier, esses sistemas tendem a reproduzir vieses presentes no ambiente digital.

Ela afirmou que, ao associar conceitos como sucesso, independência e realização profissional, ferramentas de IA os vinculam com muito mais frequência a perfis cisgênero e heterossexuais. Já conteúdos relacionados à comunidade LGBT aparecem associados majoritariamente a medo, vulnerabilidade e necessidade de apoio emocional.

“Hoje, as mensagens relacionadas a um tema e a outro estão moldando percepções”, disse.

 

O problema é político ou global?

Embora fatores políticos sejam frequentemente apontados como causa da retração, Garnier afirma que os dados sugerem um fenômeno mais amplo. O levantamento analisou 12 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Argentina e Espanha, e encontrou tendências semelhantes em todos eles.

Mesmo em mercados com maior apoio institucional à diversidade, como a Espanha, a cobertura sobre o tema recuou de forma acentuada. Segundo a executiva, isso indica que a mudança não pode ser explicada apenas por conjunturas políticas locais.

No Brasil, o cenário segue a tendência global. Garnier afirmou que mensagens de ódio contra a comunidade LGBT cresceram de forma consistente nos últimos anos, reforçando a necessidade de ações mais estruturadas.

 

Como reverter esse quadro?

Para a diretora da LYYC Brasil, a saída passa pela retomada de uma comunicação contínua e responsável por parte das empresas. Mais do que campanhas pontuais, ela defende presença consistente no debate público.

“Uma das conclusões do estudo é que as empresas devem continuar construindo uma comunicação positiva, especialmente nos temas de diversidade e respeito”, afirmou.

Na avaliação de Garnier, a ausência dessas vozes institucionais tende a aprofundar o desequilíbrio no debate. Em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos, a disputa por narrativa deixou de ser apenas simbólica: tornou-se central para a formação de percepções sociais e para a construção de uma sociedade mais justa.

Compartilhe nas redes sociais
Facebook Twitter Linkedin
Voltar para a listagem de notícias